Com tanto que está por fazer nas áreas que implicam com a arquitectura, pensamos que não é hora de pensar em cidades construídas de raiz. As que estão a ser feitas, pelo mundo fora, alimentam a bolha especulativa normalmente floreada por um discurso chique sobre sustentabilidade. Rejeitar essas práticas e permanecer fiel à ideia de uma arquitectura comprometida com uma ideia de serviço público e de proximidade com as pessoas, é o nosso compromisso ético.

A prática profissional de arquitectura durante os próximos anos passará por intervir em realidades construídas. Reabilitando, reconstruíndo ou demolindo. Não temos grandes dúvidas que essa deverá ser a realidade da profissão até que estes jovens fiquem velhos. Aos arquitectos competirá olhar à sua volta e perceber onde é que os seus conhecimentos podem ser úteis, no tempo em que vivem e no espaço em intervêm. Tal como um médico não cura uma pessoa que não queira combater uma doença ou um advogado não consegue absolver quem quer ser declarado culpado, os arquitectos não mudam cidades sozinhos. Só as pessoas têm a capacidade de o fazer. É certo que com o seu conhecimento particular, podem ser uma mais valia. Tal como o médico é para o doente ou o advogado para o réu. Mas também é certo que já houve quem conseguisse construir cidades sem arquitectos, curar-se sem médicos ou ser absolvido sem advogados.

Sobre o Brasil, Oscar Niemeyer disse um dia, que o “urbanismo e arquitetura não acrescentam nada”. “Na rua, protestando, é que a gente transforma o País” - concluiu. Talvez seja na rua que devamos estar.