Esta 3ª feira na Ordem dos Arquitectos
"O que é feito do star system da arquitectura?" é o tema em debate na nona sessão do Ciclo O Lugar do Discurso a decorrer na Biblioteca da Ordem dos Arquitectos no dia 28 de Abril, às 18h. Organizada por Paulo Tormenta Pinto, esta sessão conta com a participação de André Tavares, Joaquim Moreno, Nuno Grande e Tiago Mota Saraiva. A entrada é livre.
A Ordem dos Arquitectos-Secção Regional Sul (OASRS) é um dos organismos que acolhe um conjunto de conversas de dois ciclos de debates sobre a análise do discurso da arquitectura através de periódicos especializados publicados ao longo do século XX.
Os ciclos, que se chamam O lugar do Discurso inauguraram no passado dia 25 de Fevereiro na Biblioteca da sede da Ordem dos Arquitectos. Tratou-se de uma conversa sobre Arquitectura vista por não arquitectos com os convidados Álvaro Domingues, António Bolota, Paulo Catrica e Manuel Villaverde Cabral.
O primeiro ciclo (Ciclo Temas/Capa) reflecte sobre como as revistas de arquitectura do último século contribuíram para o discurso da disciplina.
O segundo ciclo (Ciclo Agentes) evoca as ligações que, inevitavelmente, arquitectos, editores, críticos e designers estabeleceram, de que forma ocuparam os seus lugares de influência e como trocaram conhecimentos.
O lugar do discurso é um projecto de investigação financiado pela FCT (2013-2015), na sua origem. Decorre de uma parceria entre o Instituto de História da Arte da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL) e o DINÂMIA, do ISCTE/Instituto Universitário de Lisboa. O projecto é coordenado pela arquitecta Rute Figueiredo e realizado por uma equipa de 10 pessoas entre investigadores e bolseiros de investigação.
Além da sede da Ordem dos Arquitectos, os ciclos têm lugar na FCSH-UNL, no MUDE (Lisboa) e na galeria Quadra (Porto).
Segundo a investigadora Rute Figueiredo, a análise das revistas de arquitectura ao longo de um século permite "configurar as contínuas formas de a arquitectura se definir, questionar ou criticar".
Os estudos de periódicos de arquitectura fazem "perceber, entre outros aspectos, a massificação da visibilidade da disciplina; uma grande pulverização de práticas, que nos reenvia para uma sempre falada ‘crise' da arquitectura, em que se defrontaram, muitas vezes, os profissionais mais próximos das práticas construtivas e os que estariam à vontade num campo mais ou menos teórico, os arquitectos que exerceram outras artes (design, fotografia, por exemplo) ou arquitectos com várias componentes no seu currículo".
Essa crise (um "questionamento") deslocou-se dos eixos estruturantes da arquitectura, provocando crises da identificação da disciplina. A publicação dos periódicos conferiu visibilidade à arquitectura entre arquitectos, outros profissionais e público; à construção da crítica de arquitectura; à influência que exerceram na prática.
"As revistas, assumidas como um tipo específico de publicação, estabelecem um ritmo que está para além do ritmo de edição, muitas vezes irregular, instalando uma rede móvel em que arquitectos, editores e críticos se ligaram, formaram núcleos e polemizaram, obrigando a que o seu campo disciplinar sofresse alterações".
Segundo Rute Figueiredo, "a cultura arquitectónica foi sendo moldada pelo discurso crítico e os cânones foram sendo construídos a partir de discursos que podiam ou não ser fundados em conhecimento prático." Neste sentido, os periódicos são instituições a partir das quais irradiou o poder de fazer aparecer projectos, ideias, arquitectos e outros protagonistas. "Nos debates talvez possamos entender por que razões as revistas consagraram uns e excluíram outros, que critérios e lógicas presidiam às escolhas."
A 28 e 29 de Setembro de 2015 haverá um congresso internacional que pretende discutir as relações entre a construção do campo arquitectónico e os media.