Três propostas para Lisboa
No âmbito da discussão disciplinar sobre a evolução da cidade de Lisboa, do processo de revisão do PDM e do concurso “Intervenções na cidade” promovido pela Trienal de Arquitectura de Lisboa 2007, o ateliermob tem vindo a desenvolver três propostas para o futuro da cidade de Lisboa. Sentindo que a discussão sobre a cidade está cada vez mais confinada a alguns agentes económicos e respectivas equipas técnicas, e que a maioria dos projectos para a cidade passam à margem da discussão pública, este atelier de arquitectos, que vivem e trabalham em Lisboa, tenta com as suas três propostas que a discussão venha para a rua.

2ª Circular
[projecto premiado em "Intervenções na Cidade"]
A primeira proposta, incide sobre a 2ª circular, enquanto muro no centro da cidade. Esta via rápida com os seus conhecidos congestionamentos impede que a mesma seja utilizado enquanto tal. Ficamos assim, praticamente no centro de Lisboa, com um elemento urbano que se constitui como um muro para o normal funcionamento das malhas e do desenho urbano. Desta forma propõe-se o desmantelamento progressivo da 2ª circular, dentro de um tecido urbano que ao longo dos anos se poderá vir a sedimentar à custa da ocupação deste enorme vazio que rasga a cidade de Lisboa.

Terraces
No sentido de promover uma alteração geral da forma de construir, a segunda proposta, recorre a influências da cultura de construção mediterrânica e da arquitectura popular portuguesa, mais adaptadas às características geográficas e climáticas de Lisboa, para desenhar uma cidade que progressivamente vai perdendo telhados em prol do espaço privado de uso colectivo - terraço.

Novas materialiades
Por último, considera-se os enormes problemas que Lisboa tem, cada vez que a pluviosidade aumenta. Ao longo das últimas décadas, decorrente de uma inexistente política de uso dos solos, foi-se permitindo a impermeabilização dos espaços vazios (com edificado, anexos, acrescentos ou pavimentações) que serviam para absorção de água das chuvas. Por outro lado, as novas políticas de redução da velocidade do tráfego dentro da cidade, permitem que se repense a materialidade do asfalto (não permeável) nas zonas de maior densidade de construção, para que deste modo se volte a utilizar um pavimento que seja permeável para as águas.