O curador da representação portuguesa à 14ª Bienal de Arquitectura de Veneza Pedro Campos Costa, convidou o ateliermob para ser editor do tema Informal trabalhando a par do desenvolvimento do processo de projecto em Monte Xisto a cargo do arquitecto Paulo Moreira.

As três edições do tema Informal no jornal Homeland – a forma com que Portugal se fez representar nesta Bienal de Arquitectura de Veneza – não teriam sido possíveis sem a disponibilidade e ajuda dos moradores de Monte Xisto e do município – dos arquitectos aos autarcas eleitos. A partir de agora, a possibilidade de produzir uma mudança efectiva está nas suas mãos.

Imagens

Memória descritiva

No contexto português não é fácil identificar características arquitectónicas ou morfológicas gerais da construção informal. Com algumas excepções, o edificado não excede os dois pisos e, quando em bairros, apresenta um elevado índice de cópia de detalhes vizinhos, ainda que com uma vontade de diferenciação decorativa e identitária. Por outro lado, a geografia em que se constrói é determinante na escolha dos materiais e nas soluções construtivas, seja pelas condicionantes térmicas ou climáticas, ou pelas financeiras e de experiência construtiva dos mestres de obras locais.

Em Matosinhos há muito por fazer nestes bairros. Não apenas em Monte Xisto mas também, por exemplo, no Bairro dos Pescadores, em Gatões ou em Monte de Espinho.

Monte Xisto, o bairro escolhido por Paulo Moreira para trabalhar e projectar uma intervenção, tem uma carga simbólica bem ilustrativa das transformações em um século de habitação em Portugal. Da história das quintas e do sistema de relações fundiárias de cariz feudal, à conquista do avo para a construção da casa sonhada, à tensão com o Estado a partir do conflito com a lei e o planeamento. A este contexto acresce, na zona para a qual Paulo Moreira projecta, a necessidade urgente de contenção das terras desestabilizadas pela demolição de algumas construções. O seu trabalho e o dos fotógrafos Nelson D'Aires, Paulo Pimenta e Valter Vinagre que se materializa nesta exposição é um contributo fundamental para dar visibilidade ao problema tornando uma intervenção por parte dos poderes públicos inevitável.
Por outro lado, uma acção urbana requalificadora de todo o conjunto urbano de Monte Xisto deverá ser pensada no tempo, a partir da organização dos seus moradores em estruturas representativas como associações de moradores. Uma representação que ultrapasse os conflitos de vizinhança, que ganhe em capacidade reivindicativa e que se consiga constituir como actor central do processo decisório. Que seja dos próprios moradores – a partir de processos democráticos e com o apoio técnico qualificado - que emanem as decisões sobre as praças, as ruas e os jardins necessários, tendo consciência que o enraizamento de uma cultura democrática e de participação não coloca em causa ou retira responsabilidades ao técnico ou à autarquia, antes reforça e qualifica o carácter da transformação.

As três edições do tema Informal no jornal Homeland – a forma com que Portugal se fez representar nesta Bienal de Arquitectura de Veneza – não teriam sido possíveis sem a disponibilidade e ajuda dos moradores de Monte Xisto e do município – dos arquitectos aos autarcas eleitos. A partir de agora, a possibilidade de produzir uma mudança efectiva está nas suas mãos.

Ficha técnica

Nome do projecto
Homeland | Bienal de Arquitectura de Veneza
Categoria geral
Exposição
Localização
Veneza, Itália
Estado
Concluído